terça-feira, 27 de setembro de 2016

OUTONO


Victor Eredel




As cores
penduradas nas árvores
lembram os tons quentes 
das telas de outono.

O ar morno que sopra do sul
sorri aos pássaros viajantes
que rumam a outras terras
cruzando o céu ainda de azul.

De todos os outonos passados
guardo todas as saudades
num escaninho muito meu.
Guardo
as folhas douradas voando
o canto terno dos melros
o cambiante álacre das dálias
o cheiro das castanhas assadas...

Os sonhos sonhados com emoção 
foram voando, ligeiros,
com as asas e o bater do coração.


Maripa


Google

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

ENTRE A SALIVA E OS SONHOS




Entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar

E uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios.  


Alice Vieira

Imagens GOOGLE




sábado, 17 de setembro de 2016

ABANDONASTE AS PALAVRAS




Abandonaste as palavras
e elas esqueceram-se de ti.

Agora,
agora tens saudades, eu sei,
da sua voz ora quieta, ora impaciente
do seu sabor quer aveludado, quer ardente.

Palavras  com música  com cor  com perfume...
Enjeitaste-as porque te deixavam os olhos orvalhados
ou porque algumas te queimavam como lume?

Chama-as, tenta seduzi-las, leva-as contigo a ver o mar... 
Lembra com ficavam azuis de contentamento,
suaves e macias a respirarem maresias.

Abraça-as em plenitude no esplendor das ondas
...sem elas, as madrugadas estão cada vez mais frias.

Maripa 

 Imagens GOOGLE
e
Stefanov Alexander









quarta-feira, 14 de setembro de 2016

TU ÉS A ESPERANÇA




Tu és a esperança, a madrugada.
Nasceste nas tardes de setembro,
quando a luz é perfeita e mais doirada,
e há uma fonte crescendo no silêncio
da boca mais sombria e mais fechada.

Para ti criei palavras sem sentido,
inventei brumas, lagos densos,
e deixei no ar braços suspensos
ao encontro da luz que anda contigo.

Tu és a esperança onde deponho
meus versos que não podem ser mais nada.
Esperança minha, onde os meus olhos bebem,
fundo, como quem bebe a madrugada.


Eugénio de Andrade

Imagens: Victoriia Tkachenco






sexta-feira, 2 de setembro de 2016






William Butler Yeats  [ 1865  Dublin, Irlanda - 1939 Menton, França] 

Prémio Nobel em 1923