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sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

FELIZ NATAL



  


Natal

Soa a palavra nos sinos,

E que tropel nos sentidos,

Que vendaval de emoções!

Natal de quantos meninos

Em nudez foram paridos

Num presépio de ilusões.

 

Natal da fraternidade

Solenemente jurada

Num contraponto em surdina.

A imagem da humanidade

Terrenamente nevada

Dum halo de luz divina.

 

Natal do que prometeu,

Só bonito na lembrança.

Natal que aos poucos morreu

No coração da criança,

Porque a vida aconteceu

Sem nenhuma semelhança.

Miguel Torga [1974]



Silent Night  - Luka and Eugeny

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

RECOMEÇA



Um belo poema de Miguel Torga para começar 2020 

Recomeça….

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…


Miguel Torga





sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

LEMBRANÇA






Ponho um ramo de flores
na lembrança perfeita dos teus braços;
cheiro depois as flores
e converso contigo
sobre a nuvem que pesa no teu rosto;
dizes sinceramente 
que é um desgosto.

Depois,
não sei porquê nem porque não,
essa recordação
desfaz-se em fumo;
muito ao de leve foge a tua mão,
e a melodia já mudou de rumo.

Coisa esquisita é esta da lembrança!
Na maior noite, 
na maior solidão,
sem a tua presença verdadeira,
e eu vejo no teu rosto o teu desgosto,
e um ramo de flores, que não existe, cheira!



Miguel Torga

Pinturas de Vladimir Volegov










terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

UM MISTO DE ORAÇÃO E DE FEITIÇO




Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço...
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo 
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz...



Miguel Torga

Imagem: Johanna Wright

sábado, 20 de dezembro de 2008

BOAS FESTAS


NATAL


Um Deus à nossa medida...
A fé sempre apetecida
De ver nascer um menino
Divino
E habitual.
A transcendência à lareira
A receber da fogueira
Calor sobrenatural.


Miguel Torga

Imagem de Edna Feitosa

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

OUTONO


Porque hoje começa o Outono e porque gosto muito de Miguel Torga, o poema:


Outono

Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.


Miguel Torga ( Diário X)

Imagem da net

terça-feira, 15 de julho de 2008

PARA A MANHÃ



Rosa acordada, que sonhaste?
Nas pálpebras molhadas vê-se ainda
que choraste...
Foi algum pesadelo?
Algum presságio triste?
Ou disse-te algum deus que não existe
eternidade?
Acordaste e és bela:
Vive!
O sol enxugará esse teu pranto
passado.
Nega o presságio com perfume e encanto!
Faz o dia perfeito e acabado!

Miguel Torga

Imagem da net

sábado, 21 de junho de 2008

VAZIO

Todo o mar nos meus olhos, e não basta!
Enche-os mais uma lágrima furtiva...
Neste banquete azul, há um só conviva
farto e feliz.
É o céu, que se debruça sobre as ondas
sem amargura.
É ele, que não procura
por detrás da verdade outra verdade.
Serenamente, lá da eternidade,
bebe e come
a imagem reflectida do seu nome.

Poema de Miguel Torga

quinta-feira, 20 de março de 2008

GLÓRIA

Quadro de Carl Larsson, Primavera, 1907

Depois do Inverno, morte figurada,
a Primavera, uma assunção de flores.
A vida
renascida
e celebrada
num festival de pétalas e cores.

Miguel Torga

Hoje começa a Primavera e é o Dia Mundial da Poesia.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

BILHETE


Não te sei dizer mais.
Depois de tantos versos,
Que te baste o silêncio
Dum poeta ardente,
Que sempre, naturalmente,
Foi além das palavras
Do amor, amando.
Que em cada beijo,
Selava os lábios que o nomeavam.
Que aprendeu a sofrer,
Que tudo acontecia
No acontecer.
Que, até na hora da evasão, sabia
Que a verdadeira vida vive-se a viver.

Miguel Torga