terça-feira, 7 de julho de 2009

CASA BRANCA


Na tarde,
da macieza do espelho
transluz uma imagem sombra.

Uma sombra arredia,
fugitiva do espelho,
do tempo,
de mim.

E na noite longa de estrelas invisíveis
a sombra sonhadora
inventa uma casa branca
[escondida entre a folhagem]
onde habitam e brincam anjos-luz.

No dia amanhecido
a sombra dissolve-se na paisagem.


Maripa

Imagem Daniel Merriam

sábado, 4 de julho de 2009

ÀCAPELLA





A Capela de Nossa Senhora da Vitória [ sec. XIV ] situada no centro histórico de Coimbra foi restaurada para dar lugar à Casa de Fados àCapella, onde se ouvem a Guitarra e o Canto de Coimbra com qualidade reconhecida.

àCapella comemora este mês de Julho o sexto aniversário.

Parabéns e felicidades !


" O fado ( ou canção ) de Coimbra é tanto mais de Coimbra quanto mais de toda a parte, tanto mais nosso quanto mais de todos."

Manuel Alegre

quarta-feira, 1 de julho de 2009

AS MÃOS DE CADA DIA


Os olhos de ver a luz
querem-se largos
e limpos.

Grandes e poderosas
devem ser as asas
de ganhar o céu.

As mãos são mãos de
tanta coisa que não
se podem ter de uma
maneira; são precisas
outras mãos em
cada dia.


Vasco Pontes

Imagem da Net

sexta-feira, 26 de junho de 2009

ENQUANTO O HOJE É HOJE


Enquanto o hoje é hoje, a
o dealbar do dia,
sobrevoo o coração da vida.

Neste enquanto, pausado e fluido,
dançam em mim imagens de jardins
alindados com flores de aloendro.

Milhares de flores
preenchidas de sol
a ondear ao vento.
Cor branca
vermelha
rosa
em marés de verão,
em marés de alumbramento.

Na penumbra do hoje, já sem as flores do aloendro,
os olhos turbam-se
e a melancolia regressa num crescendo...


Maripa

Imagem da Net


segunda-feira, 22 de junho de 2009

SE EU E TU


Se eu fosse peixe e tu fosses mar
nadava dentro de ti
e vivia no teu corpo.

Se eu fosse pássaro e tu fosses ar
cortava-te como uma flecha
sem nunca te magoar.

Se eu fosse sol e tu fosses neve
em rio te transformava
e havias de ver o mar.

Se eu fosse chuva e tu fosses terra
cresciam de um dia para o outro
as flores na tua pele.

Se eu fosse vento e tu fosses vela
levava-te a ver o mundo
por sobre as ondas do mar.


J.Pedro Mésseder

Imagem de D.Kustanovich

terça-feira, 16 de junho de 2009

ÉRAMOS PRIMAVERA


Não são os sonhos das noites do verão
- que tarda em chegar -
que me fazem debruçar do varandim do tempo.

São as memórias de um Agosto com gosto de mar,
com beijos salgados e rubores de rosto.

Éramos primavera.
Toda a música do sol,
toda a música das estrelas
era nossa.

Demos as mãos e enfeitámos o mundo.

[Ah! Entardece... Sinto o mar à nossa espera.]


Maripa

domingo, 14 de junho de 2009

CRISTALIZAÇÕES

1.
Com palavras amo.

2.
Inclina-te como a rosa
só quando o vento passe.

3.
Despe-te
como o orvalho
na concha da manhã.

4.
Ama
como o rio sobe os últimos degraus
ao encontro do seu leito.

5.
Como podemos florir
ao peso de tanta luz?

6.
Estou de passagem: ama o efémero.

7.
Onde espero morrer
será amanhã ainda?


Eugénio de Andrade


Espero, amanhã,recomeçar as visitas aos meus amigos queridos. Bem-hajam pela vossa dedicação e carinho. Um abraço enorme da Maripa.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

CANÇÃO MÍNIMA


No mistério do sem fim
equilibra-se um planeta.

E no planeta,um jardim,
e no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta
e sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim
a asa de uma borboleta.

Cecília Meireles


Porque me fogem e me faltam as palavras...deixo flores, um abraço enorme e o meu carinho.
Estou melhorzinha. Bem-hajam pela vossa ternura.

Maripa

segunda-feira, 11 de maio de 2009

EM JEITO DE PAUSA...


" Em algumas manhãs, quando ainda percebo o orvallho nas folhas, nas flores, chego a pensar que são lágrimas da noite, resquício, quem sabe, por não querer que o dia chegue..."


E. Battaglini


Não tenho passado bem de saúde, essa a razão das minhas ausências junto de vós, me perdoem. Agradeço, com carinho, todas as palavras que me deixaram em forma de abraço. Senti a vossa ternura,sempre.

Em jeito de pausa, deixo flores...

Maripa

sexta-feira, 1 de maio de 2009

VEM HOJE UM CHEIRO TÃO BOM LÁ DE FORA DO MUNDO!


Vem hoje um cheiro tão bom lá de fora do mundo!
Um cheiro a esponsais de primavera
com deusas de astros na fronte
e enlaces de folhas de hera
no cabelo voado...



( Ah! Se eu encontrasse a ponte
que vai para o outro lado!)



José Gomes Ferreira

Imagem da Net

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O VENTO QUE POR MIM PASSA


O vento que por mim passa
[e devassa o pensamento]
diz-me que posso trepar
ao mais alto dos montes
e agarrar com as mãos
a poeira das estrelas.

Diz-me que posso descer
ao mais fundo dos mares
e plantar um jardim.

Mas como
se me dói cada hora
cada minuto cada segundo
se me dói sonhar de asas abertas
se me dói o eco dos meus passos
neste tempo do quase florir das giestas?

Maripa

Imagem de Anke Merzbach

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A UMA CEREJEIRA EM FLOR


Acordar, ser na manhã de abril
a brancura desta cerejeira;
arder das folhas à raíz,
dar versos ou florir desta maneira.

Abrir os braços, acolher nos ramos
o vento, a luz ou o que quer que seja;
sentir o tempo, fibra a fibra,
a tecer o coração de uma cereja.


Eugénio de Andrade

Imagem da Net

sábado, 18 de abril de 2009

AMAR PALAVRAS-BORBOLETA


Amar palavras-borboleta a voejar
de sobressalto em sobressalto.

Ondulantes
[mutantes de cor]
rebrilhando ao sol
na orla incandescente e azul
do pensamento.


Amar palavras-borboleta
de voo em voo
à procura do caminho das rosas
na rota das flores.


Palavras-borboleta
ávidas duma gota de mel
[adoçante de folhas de papel]
verso
a
verso
levadas pelo vento
a jardins onde crescem os amores.

Maripa

Imagem de Maria Pleshkova

quinta-feira, 16 de abril de 2009

BÚZIO


sei que nunca viste o oceano,
que nunca olhaste a onda sobre a onda,
que nunca fizeste castelos para o mar ser forte.

mas sei que já viste o coração das coisas,
que já tocaste a ferida nos nossos braços,
que já escreveste para sempre o nome da terra.

por isso te digo que vou levar-te o mar
na concha das minhas mãos, azulíssimo,
para que nele descubras o meu nome
entre os seixos os búzios os rostos que já tive.


Vasco Gato, em Um Mover de Mão

Imagem de Sabin Balasa

segunda-feira, 13 de abril de 2009

COMO PINTAR O SOL TODAS AS MANHÃS



Como pintar o sol todas as manhãs
no jardim onde florescem os lírios
se tenho as mãos vazias
de certezas
e de versos?

Sonho, tão-somente, versos obscuros,
versos lua nova.
Não versos quarto crescente
- a aspergir luar -
acalentados pelo som das harpas
dos anjos com brilhos de mistério
e asas de papel.

Papel de seda... de seda
para vestir e amaciar o tempo
de pintar o sol no tempo dos lírios.

Amaciar o tempo das mãos vazias
e da tristeza à flor da pele.

Maripa

Imagem de Olbinski

domingo, 12 de abril de 2009

APETITES DE AVÓ




Para os meu pequeninos...para outros pequeninos ...e também para mim que , às vezes, sou tão pequenina quanto eles. Hoje é o caso...

quarta-feira, 8 de abril de 2009

FELIZ PÁSCOA



Feliz e Santa Páscoa com alegria, paz e muito amor.

terça-feira, 7 de abril de 2009

TRAGO DENTRO DE MIM UM MAR IMENSO


Trago dentro de mim um mar imenso
feito de vagas tristes
e sonhos vagos

o horizonte é uma manhã
que eu quis minha para ser eu

e para porto de abrigo escolhi uma tarde
que soubesse chorar a morte do sol


José Rui Teixeira

Imagem de P. di Fruscia

quarta-feira, 1 de abril de 2009

É ABAIXO DA LINHA D'ÁGUA


É abaixo da linha d'água
que lavo a máscara dos dias enviesados
e me refugio no lugar onde moram os sonhos.

O impulso para me esconder na minha concha
- ânsia ágil e veloz que me seduz -
contraria a leve intensidade dos meus gestos.

E é quando os raios de sol em eclipse
rompem o mar
e iluminam miríades de grãos de areia
[sementes de pérolas nacaradas]
que me deixo atravessar
por pensamentos onde há restos de luz.


Maripa

Imagem de V. Kush

segunda-feira, 30 de março de 2009

A NOITE POR TI DESPIDA


Adulta é a noite onde cresce
o teu corpo azul. A claridade
que se dá em troca dos meus ombros
cansados.
Reflexos coloridos. Amei
o amor. Amei-te meu amor sobre ervas
orvalhadas. Não eras tu porém
o fim dessa estrada
sem fim. Canto apenas (enquanto os álamos
amadurecem) a transparência, o caminho. A noite
por ti despida. Lume e perfume
do sol. Íntimo rumor do mundo.


Casimiro de Brito

Imagem de HoryMa

sábado, 28 de março de 2009

JASON MRAZ canta BELLA LUNA


... a Bella Luna de Jason Mraz a acompanhar a


Lua

Entre a terra e os astros, flor intensa.

Nascida do silêncio, a lua cheia

Dá vertigens ao mar e azula a areia,

E a terra segue-a em êxtases suspensa.


de Sophia de Mello Breyner

youtube from CaTMarO

terça-feira, 24 de março de 2009

LEVADA PELA CORRENTE


Levada pela corrente
na [in]certeza de não voltar
à flor da água
digo adeus às palavras:
que escrevi
que não escrevi
a tantas que gostava de ter escrito
em tons de azul.

Antes que o mar decida o meu destino
é dentro de mim
[cá dentro]
que a saudade amorna tudo o que me dói.

E é dentro de mim
[cá dentro]
que sopra ainda a meu favor o vento sul
- aveludado e liso -
com jeitos de menino.


Maripa

Imagem da Net

domingo, 22 de março de 2009

SE RECORDO



Se recordo quem fui, outrem me vejo,
e o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo
porém somente em sonho.
E a saudade que me aflige a mente
não é de mim nem do passado visto,
senão de quem habito
por trás dos olhos cegos.
Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada, e sinto
que quem sou e quem fui são sonhos diferentes.



Ricardo Reis

Imagem da Net

sexta-feira, 20 de março de 2009

APETECE-ME









Porque hoje é o começo da Primavera...



... apetece-me ouvir


The Akiapola'au Song

A akiapola'au é uma ave nativa do Hawaii

terça-feira, 17 de março de 2009

NO SILÊNCIO BRANCO DO AR


No silêncio branco do ar
traços laranja pintam a tarde vazia.

Dos olhos fechados correm-me dois rios
- sem margens nem chama -
caprichosos de mar.

O vento
há-de levar meu cansaço
enquanto o sol se derrama.

E ao luar
cantarei loas à Primavera
noiva gentil de véu florido
aroma e sabor a euforia.


Maripa

Imagem de Jia Lu

sábado, 14 de março de 2009

AS ROSAS


Juntar todas as rosas
do teu corpo
como quem despe a pessoa amada

Como quem quer saber
e não entende
porque se morre de paixão rasgada

Atar todas as rosas
do teu corpo
como quem prende o fogo que se abre

Este crescido fulgor
que vara o tempo
e com lâmina de amor inventa o sabre


Maria Teresa Horta

terça-feira, 10 de março de 2009

GANHAR ASAS


Ganhar asas
sair da penumbra em busca de novos sóis.

A noite está azul.
Reflexos da lua desenham em mim
arabescos de prata.

Desfeitas as nuvens do peito
a chuva são lágrimas
com a maciez das pétalas
e o sabor doce das framboesas.

Ganhar asas
esvoaçar como as borboletas
morar com o riso dos anjos
numa casa
janelas escancaradas
e luzes acesas.

Renascer num sol qualquer
de coração em brasa.


Maripa

Imagem de Daniel Merriam

segunda-feira, 9 de março de 2009

DESAFIO


A Pin do blog http://pin-gente.blogspot.com/ passou-me o seguinte desafio: contar seis coisas aleatórias sobre mim. Devo observar as seguintes regras:

Linkar a pessoa que me indicou ( já o fiz), escrever as regras do meme no meu blog ( é o que estou a fazer agora) e indicar mais seis pessoas colocando os links no final do post (tarefa que não gosto de fazer).

Podem ser estas...

1. Sou muito gulosa [ ...a imagem de hoje é elucidativa]

2. Gosto muito de cinema [ ...thrillers, históricos, comédias, casos reais...dramas - como sou muito chorona levo sempre óculos escuros para a saída ]

3. Gosto muito de música [ ...há sempre um rádio ou aparelhagem ligado em casa... adormeço com música como os bebés]

4. Sou muito caseirinha [ ...tenho dias e dias que não saio. Arranjo mil e uma desculpas para não ir à rua]

5. Sou pacífica, calma [...excepto quando me pisam]

6. Gosto pouco de cozinhar.

Pronto,agora o mais difícil ( podem não aceitar , é apenas um meme.)

Aceitam um bombomzinho?



sexta-feira, 6 de março de 2009

CARTA A SOPHIA

Carta a Sophia
ou
o quinto poema do português errante


Querida Sophia: como os índios do seu poema
também eu procurei o país sem mal.
Em dez anos de exílio o imaginei
como os índios utópicos também eu queria
um outro Portugal em Portugal.
Mas quando regressei eu não o vi
como eles me perdi e nunca achei
o país sem mal.

Talvez a própria vida seja isto
passar montanha e mar sem se dar conta
de que o único sentido é procurar.
Como os índios do seu poema eu não desisto
sou um português errante a caminhar
em busca do país que não se encontra.

Manuel Alegre

Imagem da Net

domingo, 1 de março de 2009

SE DESPIR O INVERNO QUE ME VESTE


Se despir o inverno que me veste
se não beber o chá da tormenta que vive em mim
posso seguir o voo da libelinha
e com ela pairar sobre as flores
da Primavera.

Posso brincar de menininha
adornar com laços os cabelos de neve
posso ouvir o eco dos teus passos
o batimento das ondas
e
jubilosa
posso voar em ziguezagues
e
amarar
no mar à minha espera.


Maripa

Imagem de D. Kustanovitch