Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

ANINHADA EM MIM

Aninhada em mim,
olhos baços,
conto passos e mais passos
que fizeram meus cansaços.

Aninhada em mim,
braços lassos,
colo os pedaços esparsos
do que fui a espaços.

Aninhada em mim
ouço os compassos
da música que me habita
e adoça os traços...

Desaninhada,
- coração em alvoroço -
recebo, como ontem,os abraços
que perpetuam nossos laços.

Maripa

Sábado, 17 de Maio de 2008

A CRIANÇA MAIS CARINHOSA


O amor é tudo.
É a chave da vida,e são as suas influências
que movem o mundo.

Ralph Waldo Trine

Escritor e conferencista, Leo Buscaglia contou que uma vez lhe pediram que fosse júri de um concurso. O objectivo do concurso era encontrar a criança mais carinhosa. Quem ganhou foi um menino de quatro anos, cujo vizinho do lado era um homem idoso que perdera recentemente a mulher. Ao ver o homem a chorar, o rapazinho entrou no quintal dele, subiu-lhe para o colo e ficou ali sentado. Quando a mãe lhe perguntou o que dissera ao vizinho, o rapazinho respondeu:

- Nada, só o ajudei a chorar.

Por contadores.destorias

Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

...À SOMBRA

Pairam no ar aromas de primavera
aromas de rosas, de flores silvestres.
Dentro de mim, embrulhada neles,
mão na mão
caminha o aroma dos ciprestes.

Entontecida
vou abraçar o sol
matar a sede num regato
apanhar um pézinho de alecrim.

Deito-me na terra a olhar o céu
canto baixinho uma balada
beijo em sonho um querubim.

Pairam no ar aromas de primavera.

Vou inspirá-los um a um
da rosa à flor silvestre
e acolher-me consolada
à sombra protectora do cipreste.

Maripa

Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

TENTEI



Tentei
em tarde de Maio com sabor a cereja,
alisar os vincos duma alma amarrotada.

Demos o braço.
Fomos passear devagar,
porque devagar é agora o nosso passo.
Nem precisamos falar.

Pensamentos vadios a balançar
nas sombras do relógio de sol
que nos conta o tempo e a idade.
Nem precisamos falar.

Subitamente,
rompendo o silêncio:
posso fazer uma pergunta, posso?
Lá, na eternidade,
há um mar assim lindo como o nosso?

Ora, ora...Tens cada lembrança...
Mais parece pergunta duma alma de criança !



Maripa

Terça-feira, 6 de Maio de 2008

MIL VEZES



Mil vezes te pressenti
em cada madrugada
em cada nascer do Sol
em cada cair de tarde
em cada golpe de vento.

Mil vezes ouvi a tua voz
no marulhar das ondas
e espreitei o teu sorriso de arco-íris.

Mil vezes vi os teus olhos de avelã
e absorvi o teu cheiro a maresia.

Mil vezes mil sonhei que te perdia.

Maripa

O MAR e TU

O MAR e TU cantado por DULCE PONTES e ANDREA BOCELLI

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

POMBAS BRANCAS

Há palavras esquivas, ariscas,
escondidas na penumbra do tempo
- do meu tempo -
querendo saltar ondas no mar.

Quem sabe, um dia,
numa maré alta cheguem à praia
no corpo de pombas brancas.

Pombas brancas ansiosas de voar.

Maripa

Domingo, 4 de Maio de 2008

QUANDO EU NASCI

Quando eu nasci,
ficou tudo como estava.

Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu
nem houve estrelas a mais...
Somente,
esquecida das dores,
a minha mãe sorriu e agradeceu.

Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.

As nuvens não se espantaram,
não enloqueceu ninguém...

Pra que o dia fosse enorme
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos da minha mãe...

Sebastião da Gama

Sábado, 3 de Maio de 2008

VELHO BAÚ




No sotão do pensamento
guardo um velho baú
enfeitado com tachinhas de latão.
Quantas vezes o procuro
para me poder encontrar
e acalmar o coração!

Dentro dele numa completa desordem
misturam-se pedaços duma vida:

Résteas de sol, tranças de luar,
balões coloridos, fitas acetinadas,
palavras ditas, outras por dizer,
conchas e búzios apanhados
numa tarde à beira-mar...

Numa completa desordem
misturam-se pedaços duma vida:

flores secas, choros mansos,
lápis de cor, botões de madrepérola,
silêncios, vozes a sussurrar,
chilreios de pardais que pousavam na varanda,
passos e gargalhadas infantis,
caixinhas de porcelana
com poeiras bordadas a matiz...

No sotão do pensamento
no interior do velho baú
sons e aromas doces dão a mão.

As tachinhas amarelas
mais brilhantes e luzentes
parece que cantam alto
tornando mais cheio e forte
o bater do coração.

Quantas vezes o procuro...

Maripa

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

ARCO-ÍRIS




Dá-me a tua mão,amor
leva-me contigo,ensina-me a voar!


Leva-me contigo
sobre campos rubros de papoilas,
encostas coloridas de amarelo,
prados atapetados de verde,
sobre o azul do mar!

Nas nuvens
agarrarei o alaranjado
de todo o sol poente,
o anil dos canteiros
de miosótis em flor,
o violeta dos mantos
de todos os cristos
crucificados por amor!


Leva-me contigo, ensina-me a voar...



Maripa

Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

REZA DA MANHÃ DE MAIO


Senhor, dai-me a inocência dos animais
para que eu possa beber nesta manhã
a harmonia e a força das coisas naturais.

Apagai a máscara vazia e vã
de humanidade
apagai a vaidade,
para que eu me perca e me dissolva
na perfeição da manhã
e para que o vento me devolva
a parte de mim que vive
à beira dum jardim que só eu tive.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Quarta-feira, 30 de Abril de 2008

BOBBY McFERRIN - AVE MARIA

Live from the Marketplace in Leipzig

SWINGING BACH

A Swinging Performance of JOHANN SEBASTIEN BACH´S MUSIC with

BOBBY McFERRIN

AMIZADE



Para o meu amigo OUTONO do Pretexto-Clássico
que me nomeou para a "Campanha da Amizade"

Um beijo carinhoso de agradecimento.

"Quero, um dia, dizer às pessoas que nada foi em vão... Que o amor existe,que vale a pena se doar às amizades e às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim. E que valeu a pena."
Mário Quintana

Terça-feira, 29 de Abril de 2008

PALÁCIO DA PENA



"No vão do arco, como dentro de uma pesada moldura de pedra, brilhava, à luz rica da tarde, um quadro maravilhoso, de uma composição quase fantástica, como a ilustração de uma bela lenda de cavalaria e amor. Era no primeiro plano o terreiro, deserto e verdejando, todo salpicado de botões amarelos;ao fundo, o renque cerrado de antigas árvores, com hera nos troncos, fazendo ao longo da grade uma muralha de folhagem reluzente;e emergindo abruptamente dessa copada linha de bosque assoalhado, subia no pleno resplendor do dia, destacando vigorosamente num relevo nítido sobre o fundo do céu azul-claro, o cume airoso da serra, toda cor de violeta-escura, coroada pelo Palácio da Pena, romântico e solitário no alto, com o seu parque sombrio aos pés, a torre esbelta perdida no ar, e as cúpulas brilhando ao sol como se fossem feitas de ouro..."


Eça de Queiroz in "Os Maias"

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

" SÓ SE VÊ BEM...


" Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos."
A. Saint-Exupéry

Domingo, 27 de Abril de 2008

FLORES

ACEITEM AS ROSAS QUE LHES MANDO.
EM CADA FLOR VAI UM BEIJO MEU.

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

PUDESSES...PUDESSE


Pudesses ser tu mar e eu areia
areia fininha e branca
que o Sol teima em aquecer.

Pudesse ser eu brisa e tu o vento
vento sul, morno e macio
que surpreende no entardecer.

Pudesses ser tu o céu e eu estrela
estrela brilhante e infinita
que na noite espera o amanhecer.

Pudesse ser eu lua e tu o sol.
Pudesse ser eu tela e tu pintor.
Pudesse ser eu água e tu o vinho.

Pudesses ser tu jardim e eu flor.
Maripa

Quarta-feira, 23 de Abril de 2008

OS LIVROS SÃO JANELAS



(...)"Pode-se viver sem ler? Quem não lê não entra no rio da história e quem lê é como o mar onde desaguam muitos rios.(......) Os livros são janelas. Hoje vou abrir uma delas."

P.Vasco Pinto de Magalhães, in " Não há soluções,há caminhos."

Terça-feira, 22 de Abril de 2008

DIA MUNDIAL DA TERRA

TERRA-MÃE

Não chores, Terra-Mãe!

O Homem vai acordar e prender no olhar
pássaros viajantes para além do Tempo.

Vai pintar o Ser e o Sentir de mil matizes,
vai escrever a palavra AMOR
nos rios, nos mares, nas florestas
e entrelaçar nas árvores suas raízes...

Acorda, Homem, volta a sorrir
como girassóis abertos ao sol do meio-dia.

A Terra- Mãe , agradecida, voltará a florir!

Maripa

"O TEMPO...


" O tempo não é uma corda que se possa medir de nó a nó. O tempo é uma superfície oblíqua e ondulante onde só a memória é capaz de se mover e aproximar."
José Saramago

Sábado, 19 de Abril de 2008

DANÇO



É lua cheia
e dentro de mim há um oceano a marulhar.

De algas brancas entrelaçadas nos cabelos,
enfeitada com colares de búzios,
danço.

Danço descalça com movimentos de onda
ao ritmo da música dos raios de luar...

Maripa

Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

SINTO-TE...





"Sinto-te como um som imaginado dentro de um búzio... Acredito que na vida nada do que é importante se perde... A não ser a ilusão de que tudo pode ser nosso para sempre..."

Miguel Sousa Tavares

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

CRIANÇA E FLOR...


Quero ser criança, flor...
Ave do paraíso,
papagaio de papel,
árvore de sombra frondosa,
tela pintada a pastel.

Quero ser criança,flor...
Riacho de leite e mel,
um oásis no deserto,
pirilampo a luzir em noite quente,
arco-íris a dançar em céu aberto.

Quero ser criança, flor...
Raio de luz, de luar,
cesto de fruta madura,
estrela guia, farol,
fonte de água fresca e pura.

Quero ser criança, flor...
Gota de chuva, de orvalho,
campo de seara dourada,
búzio a brincar à beira-mar,
raio de sol a espreitar a madrugada.

Quero ser criança, flor...

Maripa

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

O "MEU" MAR


Mar meu


Pudesse eu
prender entre os dedos
os suspiros do mar
e distribuí-los
às crianças.

Pudesse eu
acariciar com os dedos
a suave brisa das ondas
e sentir cabelos
de crianças.

Pudesse eu
sentir nos dedos
o beijo das espumas
e ouvir risos
de crianças.

Pudesse eu
tocar com os dedos
o sono do mar
e embalar os olhos
de crianças.

Pudesse eu
ter entre os dedos
belas conchinhas
e fazer colares
p´rás crianças.

Oh, mar meu!
Porque esperas?
Porque não dás?
Porque não sentes?
Porque não ouves?

..............

excerto de um poema de Xanana Gusmão

A "MINHA" CIDADE


TEMPO QUE NÃO PASSA

De Coimbra, fica um sonho e uma saudade
cavaleiros andantes, dulcineias
de Coimbra, fica a breve eternidade
do Mondego, a correr em nossas veias.

De Coimbra,fica o sonho e fica a graça
Antero de revolta, capa à solta
de Coimbra, fica um tempo que não passa
neste passar de um tempo que não volta.


Manuel Alegre