
No sotão do pensamento
guardo um velho baú
enfeitado com tachinhas de latão.
Quantas vezes o procuro
para me poder encontrar
Dentro dele numa completa desordem
misturam-se pedaços duma vida:
Résteas de sol, tranças de luar,
balões coloridos, fitas acetinadas,
palavras ditas, outras por dizer,
conchas e búzios apanhados
numa tarde à beira-mar...
Numa completa desordem
misturam-se pedaços duma vida: flores secas, choros mansos,
lápis de cor, botões de madrepérola,
silêncios, vozes a sussurrar,
chilreios de pardais que pousavam na varanda,
passos e gargalhadas infantis,
caixinhas de porcelana
com poeiras bordadas a matiz...
No sotão do pensamento
no interior do velho baú
sons e aromas doces dão a mão.
As tachinhas amarelas
mais brilhantes e luzentes
parece que cantam alto
tornando mais cheio e forte
o bater do coração.
Quantas vezes o procuro...
Maripa